quinta-feira, 23 de junho de 2016

"O que os nossos filhos vão-se esquecer"

O título deste post não é meu ... Chegou-me às mãos através de um amiga...um texto em Italiano de um blog Italiano... Unamammagreen
Li, voltei a ler e ler, traduzi e não podia ter gostado mais entretanto encontrei já traduzido e publicado aqui nesta página que sigo e adoro todos ou quase todos os textos. Uptokids

Queria acreditar que nunca te ias esquecer dos beijos, das cócegas, dos meus abraços apertados, do esquilo maluco que o Pai faz...
Queria acreditar que serias a minha bebé para sempre...

Enfim no fundo era um acreditar sem acreditar, e tu quando cresceres vais entender melhor tudo isto.
Quando a tua avó me dizia a maioria das coisas que te digo agora eu também não ligava, não percebia ou não queria perceber, mas chega um momento em que tudo começa a fazer sentido:)

O tempo este tempo malandro que corre sem nunca parar, que nos faz muitas das vezes perder o que deveria ser imperdível!

O tempo este tempo que nos dá mas também nos tira...

Uma coisa é certa todos crescemos, todos deixamos de acreditar em algumas coisas, todos nós esquecemos de algumas fases da vida, mas nunca em momento algum deixes de acreditar que o Pai e a Mãe não te podem proteger, não te podem dar colo, não podem limpar as tuas lágrimas ou agarrar a tua gargalhada, nós podemos sempre e cada vez melhor, sempre de coração aberto para ti!

Enquanto o tempo não passa nós aproveitamos e gravamos todos os teus minutos de crescimento.

Amo-te Baby Be!

Deixo-vos o texto aqui pois não o podem mesmo perder nem tu Baby Be um dia mais tarde:

"O Tempo é um animal estranho. Assemelha-se a um gato, agindo como lhe apetece. Manhoso e indiferente, corre quando imploras que pare, e permanece imóvel quando rezas que ande depressa. Às vezes morde enquanto ronrona, ou lambe-te com uma língua áspera. Coça-se enquanto o beijas.
O tempo, irá libertar-me lentamente da extenuante fadiga de ter filhos pequenos, das noites sem dormir e dos dias sem descanso. Das mãos papudas que não param de me agarrar, que me trepam pelas costas, que me procuram sem restrições nem hesitações. Do peso que me enche os braços e me curva as costas. Das vezes que me chamam e não permitem atrasos nem esperas. Vou voltar ao ócio vazio de domingo e as chamadas telefónicas sem interrupções, o privilégio e o medo da solidão.
O tempo, certamente e inexoravelmente irá arrefecer outra vez a minha cama, agora quente dos corpos pequenos e respirações rápidas. O tempo vai atenuar os olhos de meus filhos, que agora transbordam de um amor poderoso e incontrolável. Vai apagar a palavra mãe dos seus lábios, gritada e cantada, chorada e pronunciada cem mil vezes ao dia.
Vai apagar, pouco a pouco ou de repente, a familiaridade da sua pele com a minha, a confiança absoluta, o mesmo cheiro, usado para misturar o nosso humor, o espaço e o ar que respiramos. Assumir, em parte e para sempre, o pudor, o julgamento, a vergonha. A consciência adulta das nossas diferenças.
Como um rio que escava seu leito, o tempo minará a confiança que têm em mim, a forma como os seus olhos me vêem, capaz de parar o vento e acalmar o mar, consertar o irreparável, curar o incurável e ressuscitar da morte!
Com o tempo vão deixar de me pedir ajuda, porque deixarão de acreditar que eu possa salvá-los. Vão parar de me imitar, porque vão querer não ser parecidos comigo. Deixarão de preferir minha companhia, optando pela dos amigos, e Deus queira que não esteja enganada!
Paixões se dissiparão, as birras e os ciúmes, o amor e o medo. Vão-se apagar os ecos das gargalhadas e das canções, as sestas e os “era uma vez”… Com o passar do tempo, os meus filhos vão descobrir que eu tenho muitos defeitos, e se eu tiver sorte, também vou perdoar alguém.
Sábio e cínico, o tempo vai trazer o esquecimento. E os meus filhos vão esquecer-se mesmo daquilo que eu nunca esquecerei. As cocegas e as corridas, os beijinhos nas pálpebras e as lágrimas silenciadas com um abraço. As viagens e os jogos, os passeios e as febres altas. As danças palermas, os bolos de aniversário e os mimos durante o sono.
Os meus filhos vão esquecer-se que os amamentei, que os embalei durante horas, que os carreguei nos braços e das vezes que andamos de mãos dadas. Que lhes dei de comer e os consolei, que os amparei depois de cem quedas. Vão esquecer-se que dormiram no meu peito dia e de noite, e que houve uma altura que precisavam tanto de mim como o ar que respiram.
Os meus filhos vão esquecer-se de tudo isto, porque assim é a vida, e estas são a exigências do tempo.
E eu, eu terei que aprender a recordar-lhes tudo, com ternura e sem arrependimentos. Livre. E que o tempo, manhoso e indiferente, seja gentil com esta mãe que não se quer esquecer."
Por Silvana Santo – Una Mamma Green,
traduzido por Up To Kids®

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