quinta-feira, 3 de abril de 2014

Ser Educadora de Infância

Quando cresci estava decidida a tirar o meu curso, os meus pais tentaram de alguma forma explicar-me como funcionava a educação no nosso país, não liguei e segui a minha paixão.

Formei-me em Educação de Infância com muito orgulho, terminei o curso e arranjei emprego, ganhava mal muito mal, para alguém que tinha andado a estudar 4 anos, mas a verdade é que adorava o que fazia e como ainda não havia muitas responsabilidades dava para os gastos.

Entretanto os anos passaram e eu fui mudando sempre de emprego, na busca de encontrar o local perfeito, mas o que era perfeito para mim? Bem seria um colégio onde eu conseguisse trabalhar o resto da minha vida, onde valorizassem o meu trabalho, onde eu plantasse as minhas sementes e as visse crescer, porque é assim a nossa profissão, nós plantamos sementes e vemos as mesmas crescer.

E assim foi, finalmente consegui o tão desejado emprego ao fim de 5 anos de luta, mas atenção não tive nos locais perfeitos, sabem porquê? Porque descobri que não existem locais perfeitos, todos têm um se não e nós só damos valor ao que temos quando perdemos, o que posso dizer deste emprego tão desejado? Foram 3 anos muito bons, de muito muito trabalho, de muita formação de muita aprendizagem, mas tudo faz parte de uma carreira de sucesso, tive a melhor turma de sempre com uns pais espectaculares e umas colegas fantásticas!

Três anos que voaram, e no fim a crise veio dizer-me que iria ficar desempregada, quem diria?

Mas afinal o que faz uma Educadora de Infância?

Há quem olhe com desprezo, eu até percebo, afinal porque é que um simples cidadão vai valorizar se ninguém valoriza, o estado não quer saber, não há entidades que nos defendam, que regularizem tabelas e obriguem a pagar ordenados como deve ser a estas pessoas, a comunicação social fala muito dos professores, dos arquitectos dos engenheiros e eu respeito imenso estas classes mas e as Educadoras?

Será que alguém já olhou para o número de Educadoras que está desempregado e o número de alunos que saem todos os anos para o mercado de trabalho, será que alguém já se deu ao luxo de analisar o número de colégios, creches, jardins-de-infância que estão a encerrar portas ou mesmo a diminuir os postos de trabalho?

Não ninguém se lembra porque ser Educadora de Infância é apenas tomar conta de crianças para estas pessoas.
 
Mas é errado ser Educadora de Infância é muito mais que tomar conta aliás nenhuma Educadora de Infância toma conta de ninguém, uma Educadora é alguém que vai estar numa sala com 25 crianças que nunca as viu na vida, e vai conseguir arrancar um sorriso de cada uma delas, vai tranquilizar o pai e a mãe que saem da sala a chorar porque deixam o filho também a chorar, vai passado uma manhã a ler histórias, a ser bailarina, cantora, pintora, médica, arquitecta, engenheira, ligar aquele pai e aquela mãe e dizer que está tudo bem que o seu filho comeu bem e que apesar do choro esteve bem-disposto, sabem porquê? Porque apesar das 25 crianças dentro daquela sala a Educadora consegue ter um olhar atento a cada uma delas, e vai conseguir dar colo a todos, beijinhos e abraços, vai correr no recreio, vai dar almoços, vai ajudar a ir a casa de banho, vai ensinar a ler e a escrever, vai ensinar as cores, os números e sei lá mais o quê. E no fim do dia, vai dizer adeus com o maior sorriso de sempre e vai para casa dar aquele abraço e aquele beijo ao seu filho, vai arrumar a casa, vai voltar a ser uma série de coisas, vai fazer o jantar, e por fim vai descansar.
 
Se queriam saber o que era ser Educadora de Infância, não consigo descrever melhor.
 
É a melhor profissão que poderia ter escolhido, se vou continuar a ser educadora, não sei, acho que não, o mundo de trabalho nesta área está muito mau e o orçamento familiar tem que ser pago, e sinceramente estou cansada de 3 em 3 anos andar nesta situação angustiante, é como disse quando tirei o meu curso imaginei-me num local único e não a saltitar em busca de emprego, se tenho pena tenho muita, mas se acabar por aqui, levo comigo toda a minha experiência, e guardo recordações únicas.
 
Darei com toda a certeza o meu melhor na área que escolher, ficarei com saudades desta profissão e vou lutar para que ela seja mais valorizada.
 
 

 

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